Lembras-te quando dormis-te comigo, a última vez? Estava imenso frio e fizeste-me chegar a ti. Chegaste-te a mim e enroscas-te o teu corpo no meu, como se fossemos ficar assim eternamente. Mas foi quando abri os olhos e te vi dormir que me apercebi que (ainda) estava presa. Percebi que fui a única pessoa a quem o teu sono egoísta fez chorar de ternura. O meu próprio corpo achou aquilo estranho. Sabia que era a última vez que ia sentir-te. Ressonas. Sabes que ressonas, meu querido? Naquela noite dormias tão docemente que cheguei a perguntar-me se eras mesmo tu o homem com quem tinha partilhado os meus dias. Gosto disto, gosto tanto. E nem as lágrimas que derramei sobre os erros cometidos me fizeram deixar de te amar. Gosto de ser tudo para ti e de só o descobrires quando, enfim, resolver mandar-te embora (de vez).

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