«Eu vou guardar, cada lugar teu. Atado em mim, a cada lugar meu.»

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Não.

Não vou mais. Acabou-se até isso.

A vontade de ir ao teu encontro, o

entusiasmo de o fazer, acabou. Aos poucos o amor foi desaparecendo, e nós nem demos por isso. Só agora, que já nem a saudade existe, é que percebemos que a culpa foi nossa.
Achamos que o amor só chegava, que nos fazia sempre voltar e desejar, mas hoje sabemos que não é assim. O amor é o pormenor menos importante. Além disso, tem que haver entendimento, daquele natural, quando percebemos sempre para além do que o outro nos diz. Tem que haver confiança, até mesmo nas alturas em que o mundo está todo contra nós. Temos sobretudo que acreditar que é possível construir ao lado de alguém, uma realidade.
Mas tem que haver tempo, daquele completamente disponível em que temos sempre tempo para o outro. Tem que haver paixão, dedicação, tesão, loucura. Tem que haver carinho, paciência, racionalidade, e sobretudo muita calma. E nós, tivemos isso, depressa demais. Por isso, acabou-se tudo.
As mensagens lamechas, as surpresas inesperadas, as viagens longínquas, e os beijos apaixonados, acabaram-se. Acabaram-se os telefonemas tardios, as cenas de ciúmes, os abraços apertados e as tardes de televisão. Acabaram-se as tentativas de reconciliação, as esperas vãs e força de te manter. Acabaram-se os momentos de prazer, as manhãs de preguiças, as conversas longas e paciência.
Acabou-se tudo.
E agora meu amor, espero que te encontres.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Anda amor

Sabes o que me apetecia agora? O ontem, o hoje e o amanhã.


Tudo ao mesmo tempo. Apetecia-me agarrar no carro, na minha manta, nos nossos corpos e ir viver o momento. Procurar um lugar que nem existe e amar-te. Apetecia-me deitar-te no banco de trás, e fazer amor contigo, até que o sol nascesse ou alguém nos ligasse. Podíamos ser um do outro até que nos apetecesse voltar, e deixar tudo como estava. Apetecia-me enrolar-te na manta, prender-me ao teu cheiro, ser a tua melodia, ficar a olhar para ti até que uma estrela caísse do céu e nos lembra-se que era hora de voltar. Vamos amor... Anda cumprir a vontade que o amor tem, e matar a saudade que ficou em nós depois da última despedida. Dá-me a tua mão, agora a outra e vem comigo. Deixa-me mostrar-te todos os cantos que não conheces e trancar-te em mim. Anda la :$ 
Hoje apetece-me ficar contigo para sempre.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Sente

Só queria que sentisses outra vez estes


lençóis brancos em ti. As marcas que o teu corpo aqui deixou ainda permanecem intactas sobre mim. Como as palavras que murmuramos ao ouvido um do outro, como o cheiro que continua a pairar no ar entre estas quatro paredes. Ainda aqui se sente o desejo faminto de prazer que os nossos corpos faziam notar. Era (quase) sempre como se fosse a primeira vez que nos tocávamos. Era a (re) – descoberta um do outro. Um jogo de olhos vendados onde não há regras, onde ninguém vence, nem ninguém sai vencido. As palavras silenciam-se para darem lugar a gestos irreversíveis e a gemidos intensos. Sentir-te dentro de mim, era quase como deixar-te atingir a minha alma. Era dar-te permissão para fazeres (mais uma vez) de mim o que quisesses. Era amor, enquanto ali nos possuíamos. Depois eram apenas os lençóis sujos de raiva e de formas invisíveis do nosso êxtase. Há dias em que parece que a única coisa que ficou foram meras recordações esquecidas.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Bocadinhos

Gosto de pensar que também tens saudades


minhas. Que, de uma forma ou de outra, ainda te vais lembrando de mim. Que na minha ausência te vais torturando pelo que podia ter sido e não foi. Que a distância também te dói e que aos poucos te vai afagando o orgulho, até que um dia destes cedas e me voltes a ligar. Gosto de pensar que ainda me desejas. Que todas as noites antes de adormeceres, enterras a cabeça na almofada em busca do meu cheiro. Que cada vez que chegas a casa, o fazes com a esperança de encontrares os contornos do meu corpo ainda intactos sob a cama. Gosto de pensar que, à tua maneira, e é tão estranha por sinal, ainda gostas de mim. Que quando precisas de um colo para te mimar, de um abraço para te proteger, de um ombro para descansar, é em mim que pensas. Que quando precisas de um sorriso em que acreditar, de um olhar para te tranquilizar, do prazer para viver, é de mim que sentes falta. Gosto de pensar que quando estás sozinho, ainda te perdes nas memórias do que conseguimos construir e ultrapassar, juntos. Assim, gosto de pensar que ainda és um bocadinho meu. 

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Vais lembrar-te de mim

Não, não tentes apagar-me da tua vida porque durante muito tempo no teu coração, eu vivi e vou continuar a viver. Por mais que tentes ignorar, faz parte. Aqueles detalhes, tão pequenos e insignificantes de nós dois vão persistir, resistir, porque são coisas muito grandes para esquecer. E a cada passo que deres, nessa tua vida tonta, agitada, vão estar presentes… Vais ver. O olhar meigo, o sorriso, as coxas macias e acetinadas, a voz embargada, o corpo, a alma, ou qualquer outra coisa assim, imediatamente, vão fazer-te… Lembrar de mim. Calculo que outra mulher deva estar a sussurrar ao teu ouvido, palavras de amor como eu sussurrei, mas eu duvido… Duvido que ela tenha tanto amor e até as metáforas do meu português, e em todos esses momentos…Vais-te lembrar de mim. À noite, quando a lua e as estrelas entrarem pela janela e envolverem o silêncio do teu quarto, antes de dormir procuras a minha imagem. Mas da moldura não sou eu quem te sorri, apesar disso, ouves as minhas gargalhadas mesmo assim, e tudo isto vai fazer-te… Lembrar de mim. Se os dedos de alguém tocarem o teu corpo como eu... Não digas nada. Quando a boca que te saborear o sal da pele, não for a minha... Nada digas. Cuidado…. Para não gemeres o meu nome baixinho, sem querer, à pessoa errada. Pensando que é amor o que sentes nesse instante, desesperado, tentas até o fim… E, até nesse momento mágico… Vais-te lembrar de mim. Eu sei que todos estes detalhes vão evaporar-se na longa estrada. O tempo tem o dom de transformar um grande amor em quase nada. Mas também é mais um detalhe, uma história de amor como a nossa, não vai morrer assim… Por isso, de vez em quando… Vais-te lembrar de mim.